Indústria brasileira de embalagens flexíveis cresce com cautela e alerta para avanço das importações

Indústria brasileira de embalagens flexíveis cresce com cautela e alerta para avanço das importações

Os relatórios sobre o segundo trimestre e o primeiro semestre de 2026, elaborados pela MaxiQuim com exclusividade para a ABIEF – Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis, mostram que o setor está diante de um paradoxo: a demanda brasileira por embalagens plásticas flexíveis cresceu, mas a produção nacional recuou. A diferença foi ocupada sobretudo pelas importações que avançaram de forma expressiva, enquanto as exportações brasileiras perderam força. O mercado consumiu mais, mas uma parcela desse consumo foi atendida por fornecedores estrangeiros.

No primeiro semestre de 2026, o consumo de embalagens plásticas flexíveis alcançou 1,164 milhão de toneladas, alta de 2,6% em relação a igual período de 2025. A produção nacional, entretanto, ficou em 1,140 milhão de toneladas, com queda de 0,7% na comparação anual e de 2,8% diante do segundo semestre de 2025.

O segundo trimestre condensou essa tendência: a produção caiu para 565 mil toneladas, recuando 1,7% frente ao primeiro trimestre e 1,3% em relação ao segundo trimestre de 2025. Ao mesmo tempo, o consumo aparente chegou a 583,4 mil toneladas, alta de 0,5% no trimestre e de 2,9% em bases anuais.

“O resultado mostra um descolamento entre a demanda e a produção nacional. Não se trata, portanto, de falta de mercado. O ponto crítico é que no segundo trimestre, o Brasil consumiu 18,4 mil toneladas a mais do que produziu. Entendemos que este avanço de consumo foi capturado, essencialmente, pelo produto importado”, analisa o Presidente da ABIEF, Eduardo Berkovitz.

E os números comprovam. As importações brasileiras de filmes e embalagens plásticas flexíveis somaram 69 mil toneladas no primeiro semestre, crescimento de 33,4% sobre o primeiro semestre de 2025 e de 27,2% em relação ao segundo semestre daquele ano.

As exportações fizeram o caminho inverso: caíram para 45 mil toneladas, retração de 30,7% na comparação anual e de 17,1% ante o semestre imediatamente anterior. Com isso, o saldo comercial passou de superávit de 13 mil toneladas no primeiro semestre de 2025 para déficit de 24,2 mil toneladas no primeiro semestre de 2026.

O segundo trimestre foi especialmente desfavorável:

  • as importações atingiram 40 mil toneladas, alta de 38,8% frente ao primeiro trimestre e de 48,4% sobre o segundo trimestre de 2025;
  • as exportações ficaram em 22 mil toneladas, queda de 5,9% no trimestre e de 33,9% na comparação anual;
  • o déficit comercial trimestral chegou a 18,4 mil toneladas, ante superávit de 5,9 mil toneladas no segundo trimestre de 2025.

Segundo a pesquisa MaxiQuim, ganharam relevância especialmente os produtos de origem asiática, ampliando a pressão sobre preços, margens e participação de mercado dos fabricantes brasileiros.

Estrutura da produção nacional

 Das 1,140 milhão de toneladas de embalagens flexíveis produzidas no primeiro semestre:

  • 828 mil toneladas usaram PEBD (polietileno de baixa densidade) e PEBDL (polietileno linear de baixa densidade) – 73%;
  • 141 mil toneladas utilizaram PEAD (polietileno de alta densidade) -12%;
  • 171 mil toneladas foram produzidas com PP (polipropileno) – 15%.

No segundo trimestre, a produção com PP foi a mais pressionada, caindo 5,1% frente ao primeiro trimestre e 5% na comparação anual. Já a produção baseada em PEAD cresceu 1,2% no trimestre e 1,9% sobre o segundo trimestre de 2025.

Neste contexto, no segundo trimestre, 95% da produção brasileira de embalagens flexíveis utilizou resina virgem e 5% material reciclado, equivalendo a cerca de 28 mil toneladas de reciclado em uma produção total de 565 mil toneladas. Mesmo assim, o reciclado cresceu 5,6% frente ao primeiro trimestre e teve alta de 8,9% em relação ao segundo trimestre de 2025. A produção com resina virgem, em contrapartida, caiu 2% no trimestre e 1,8% na comparação anual.

“Este dado é relevante por mostrar que o reciclado cresce em ritmo superior; o problema é que parte de uma base ainda reduzida. Acreditamos que sua expansão dependerá de oferta estável, qualidade e rastreabilidade da resina pós-consumo, adequação às aplicações, segurança regulatória e capacidade de absorção dos custos adicionais”, analisa Eduardo Berkovitz, Presidente da ABIEF.

Por aplicação, no primeiro semestre o estudo Maxiquim revelou: 95 mil toneladas de stretch (8% da produção); 111 mil toneladas de sacos e sacolas (10%); 135 mil toneladas de shrink (12%); e 799 mil toneladas de outros filmes (70%). Na comparação com o primeiro semestre de 2025, sacolas e sacos cresceram 0,6%; shrink recuou 0,6%; stretch caiu 1,4%; e demais filmes recuaram 0,8%. Já na comparação com o primeiro trimestre, sacolas e sacos cresceram 3,3%; stretch avançou 3,5%; e shrink aumentou 2,3%. Somente “demais filmes” apresentou retração, de 0,5%.

As estruturas monocamada representaram 55%, com aproximadamente 628 mil toneladas, enquanto as estruturas multicamada responderam por 45%, cerca de 511 mil toneladas. Isso revela que a produção de monocamada caiu 1,3%, enquanto a multicamada ficou praticamente estável, com crescimento de 0,1%. Frente ao segundo semestre de 2025, ambas recuaram: 3,1% nas monocamada e 2,5% nas multicamada.

Alimentos lideram, agronegócio acelera

 Alimentos seguem como o maior mercado consumidor de embalagens plásticas flexíveis, respondendo por 38% da demanda no primeiro semestre. O segmento consumiu 448 mil toneladas, mas apresentou queda de 0,9% frente ao primeiro semestre de 2025 e de 3,5% em relação ao segundo semestre.

O agronegócio foi o grande destaque, com um consumo de 170 mil toneladas (15% de participação) e crescimento anual de 12,4%. Além do agronegócio, destacaram-se “outros”, com alta de 8,5%; bebidas, com 4,7%; varejo, com 4,3%; e pet food, com 3,8%. Higiene pessoal apresentou o pior resultado, com queda de 5,7%.

No segundo trimestre, a indústria foi o segmento de maior crescimento frente ao trimestre anterior, com alta de 7,5%, seguida por outros, com 6,9%; higiene pessoal, com 4,9%; limpeza doméstica, com 4,8%; e pet food, com 4,7%. Alimentos e bebidas recuaram, respectivamente, 3,3% e 3,9% frente ao primeiro trimestre. Apesar disso, continuam responsáveis por quase metade do consumo nacional e deverão sustentar parte importante da demanda no segundo semestre, favorecidos pela sazonalidade.

“O ambiente econômico ainda exige cautela. A indústria brasileira continua crescendo, mas em ritmo moderado, sob o efeito de juros elevados, uma inflação que apesar de desacelerar ainda restringe o poder de compra e o endividamento da população. Há sinais positivos em setores importantes para as embalagens plásticas flexíveis, como agropecuária, higiene pessoal, bebidas, limpeza e alimentos. No entanto, a recuperação da produção nacional não dependerá apenas do aumento da demanda. Precisamos assegurar condições competitivas para que esse crescimento seja atendido pela indústria instalada no Brasil, e não se transforme apenas em mais espaço para produtos importados”, diz Eduardo Berkovitz, presidente da ABIEF.

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