
O fornecimento de matérias-primas essenciais para a fabricação de embalagens plásticas no Japão está restrito devido à situação no Oriente Médio, e muitos fabricantes de alimentos foram obrigados a interromper a venda de alguns produtos por falta de materiais de embalagem. A mídia japonesa prevê que o Japão enfrentará novamente uma “onda de aumentos nos preços dos alimentos”, à medida que os materiais de embalagem plástica se tornam mais caros.
Desde a guerra com o Irã, as importações de petróleo bruto do Japão despencaram, e o fornecimento de nafta, um subproduto do processamento de petróleo bruto usado na fabricação de embalagens, tornou-se mais restrito, gerando preocupações generalizadas na indústria de produção de alimentos. Uma fábrica de dumplings (bolinhos de massa) em Katsushika, Saitama, anunciou que deixaria de vender dumplings congelados em quase 100 lojas a partir de 1º de janeiro deste ano, devido à dificuldade em obter bandejas plásticas para embalar os dumplings e ao aumento exorbitante dos preços. A fábrica afirmou que, no futuro, produziria principalmente dumplings congelados embalados individualmente, que não necessitam de bandejas plásticas.
A UItoham Yonekyu Holdings, gigante de carnes processadas e embutidos, confirmou que está estudando simplificar suas embalagens para mitigar a disparada nos custos de impressão e falta de materiais. Além disso, vários fabricantes de natto (alimento tradicional japonês feito de soja fermentada) e pão aumentaram os preços de seus produtos devido ao aumento dos custos dos materiais de embalagem. A Mizkan, uma das maiores fabricantes de natto, anunciou que vai suspender a produção de quatro itens por falta de embalagens.
A fabricante japonesa de salgadinhos Calbee anunciou que vai parar temporariamente de utilizar embalagens coloridas para seus snacks, substituindo para artes em duas cores (preto e branco), devido à interrupção no fornecimento de nafta, subproduto do refino de petróleo utilizado em tintas e plásticos, cujos preços quase dobraram desde o início do conflito, aumentando os custos para as empresas da região. A Calbee informou que as novas embalagens de 14 de seus produtos começam a chegar ao varejo do Japão a partir de 25 de maio (veja o comunicado da empresa AQUI).

Uma pesquisa realizada pela Federação Nacional Japonesa da Indústria de Produtos de Consumo e Alimentos, que inclui grandes fabricantes e varejistas do setor alimentício, mostrou que, até o final de abril, 44,1% das empresas pesquisadas já haviam sido afetadas pela escassez de materiais de embalagem plástica e outros suprimentos, e 31,4% afirmaram que seriam afetadas nos próximos três meses. Ao serem questionadas sobre as medidas que estão tomando, 72,5% das empresas pesquisadas disseram que aumentariam os preços e 35,3% disseram que considerariam interromper a venda de alguns produtos.
A mídia do país noticiou que um grande número de produtos alimentícios no Japão deverá ter seus preços aumentados neste verão, à medida que os fabricantes repassam o custo das embalagens para os consumidores. A última grande onda de aumentos de preços de alimentos no Japão ocorreu em 2023. Devido a fatores como a alta significativa dos preços das matérias-primas e a valorização do iene, que elevou os custos de importação, mais de 32.000 produtos alimentícios no Japão tiveram seus preços aumentados naquele ano, o maior número em 30 anos.


