O impacto da guerra no Irã no mercado de embalagens

O impacto da crise no Oriente Médio no mercado brasileiro de embalagens

Embora geograficamente distante, o mercado brasileiro de embalagens é altamente sensível à instabilidade no Oriente Médio. O Brasil atua em um sistema de “preços de paridade internacional”, o que significa que qualquer choque no petróleo ou no frete global é sentido quase instantaneamente nas planilhas de custos dos convertedores nacionais.

O fator câmbio talvez seja a principal preocupação. Em momentos de conflito geopolítico, investidores buscam refúgio em moedas fortes (dólar). A desvalorização do real frente ao dólar encarece automaticamente as resinas (mesmo as produzidas localmente), o papel (cotado em dólar) e o alumínio, e mesmo que o Brasil produza petróleo, o custo de refino e a política de preços das refinarias seguem o mercado externo, impactando o preço da nafta e, consequentemente, do polietileno (PE), do polipropileno (PP) e do PET.

Apesar de o Brasil ser um grande transformador, ainda depende de tecnologia externa, como na área de químicos especializados. Pigmentos, adesivos de laminação e aditivos de barreira de alta performance são, em grande parte, importados. Atrasos no Mar Vermelho afetam o fluxo desses itens essenciais para embalagens flexíveis e rígidas.

A indústria brasileira está em meio a um processo de modernização (Indústria 4.0). Conflitos que afetam a logística global atrasam a entrega de bens de capital, como máquinas de envase, de sopro e impressoras vindas da Europa e da Ásia, encarecendo os projetos de expansão.

Impacto por material

Alumínio (latas de bebida)

O Brasil é líder mundial em reciclagem de latas, o que nos dá uma certa “imunidade” parcial., contudo o preço do alumínio primário é ditado pela Bolsa de Londres (LME). Se a energia no mundo encarece devido ao gás natural do Oriente Médio, o preço do alumínio sobe globalmente, elevando o custo da lata no Brasil.

Plásticos (PET, PP e PEAD)

A instabilidade no Oriente Médio exerce uma pressão direta e imediata sobre as resinas plásticas de maior volume, como o PET, o PP e o PEAD. Como esses polímeros são derivados da nafta e do eteno, a volatilidade do petróleo Brent no Golfo Pérsico reflete-se instantaneamente nos índices globais de preços. No Brasil, embora a indústria petroquímica nacional tenha uma base sólida, a paridade de preços de importação (IPP) faz com que o convertedor sinta o aumento de custos no momento da compra, reduzindo as margens de lucro de marcas de alimentos, bebidas e higiene que dependem dessas estruturas rígidas e flexíveis.

Embalagens de aço (latas e baldes)

No segmento de embalagens metálicas, especificamente as latas de aço (folhas de flandres) utilizadas para conservas, tintas e produtos químicos, o impacto manifesta-se através do custo energético e logístico. A produção de aço é altamente intensiva em energia, e o aumento do preço do gás natural liquefeito (GNL) – frequentemente afetado por crises no Oriente Médio – eleva os custos operacionais das siderúrgicas globais. Além disso, a interrupção de rotas comerciais encarece o transporte de bobinas de aço e insumos químicos de revestimento, pressionando o preço final da embalagem metálica no mercado brasileiro, que já enfrenta desafios de competitividade frente ao plástico e ao alumínio.

Papel e papelão ondulado
O Brasil é uma potência em celulose, o que protege o mercado interno de faltas de suprimento. Se o petróleo encarecer demais o plástico na Europa, nos Estados Unidos na Ásia, a demanda global pelo papel brasileiro pode subir, o que pode elevar os preços internos devido à paridade de  exportação.

Vidro
A indústria de vidro no Brasil já opera próxima da capacidade máxima, e é uma das indústria onde o custo da energia é mais sentido. Se o preço do GNL subir devido à crise, as vidrarias brasileiras (que usam mix de gás e óleo) poderão repassar esses custos aos setores de bebidas, de alimentos e de perfumes.

Outro setor que puxa o mercado de embalagens brasileiro é o agronegócio (proteína animal, grãos, frutas). Se os navios demoram mais para circular o mundo, a falta de containers vazios no Brasil pode se tornar um problema, encarecendo o frete de exportação e pressionando as margens das marcas que exportam alimentos embalados.

O Oriente Médio é um grande fornecedor de fertilizantes. Uma crise de suprimento no agro pode reduzir a demanda por embalagens de fertilizantes e, em última análise, reduzir a safra, impactando a cadeia de alimentos.

A estratégia dos convertedores

Mesmo antes do início da guerra entre Estados Unidos/Israel x Irã, algumas empresas brasileiras produtoras de embalagens já vinham adotando algumas ações, como a migração para estruturas de menor gramatura (down-gauging) para compensar o aumento do preço da resina por quilo; a nacionalização de insumos, com a busca ativa por fornecedores de tintas e vernizes locais para reduzir a exposição ao câmbio e ao frete internacional; e contratos de longo prazo, com a tentativa de fixar preços de resina em contratos de 6 a 12 meses, embora a volatilidade atual torne essa negociação cada vez mais difícil.

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