Indústria brasileira de embalagens flexíveis inicia 2026 sob pressão de custos e importações

Embalagens plásticas flexíveis

O mercado brasileiro de embalagens plásticas flexíveis começou 2026 operando em um ambiente de maior cautela. Pressionado pela desaceleração da economia, pelo avanço das importações e pela volatilidade internacional do petróleo, o setor encerrou o primeiro trimestre praticamente estável em volume produzido, mas com sinais claros de aumento da pressão competitiva e redução de margens.

Os dados fazem parte do relatório “Desempenho da Indústria Brasileira de Embalagens Plásticas Flexíveis – 1T26”, elaborado pela MaxiQuim, com exclusividade para a ABIEF – Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis.

A produção total de embalagens flexíveis no primeiro trimestre de 2026 foi de 575 mil toneladas, praticamente estável em relação ao mesmo período do ano anterior. Na comparação com o quarto trimestre de 2025, houve retração de 1,9%. O consumo aparente do setor chegou a 581 mil toneladas, avanço de 2,2% frente ao primeiro trimestre de 2025, embora tenha apresentado queda de 1,1% na comparação com o trimestre imediatamente anterior.

Segundo a análise do Presidente da ABIEF, Eduardo Berkovitz, “este desempenho reflete um cenário econômico mais moderado, ainda impactado pelos juros elevados, crédito restrito e desaceleração da atividade industrial. Há que se considerar ainda o conflito no Oriente Médio que, a partir de Março, também passou a afetar a cadeia petroquímica”. O relatório destaca ainda que clientes importantes do setor, como as indústrias de alimentos e bebidas, também sentiram redução na produção industrial no início de 2026.

Apesar disso, alguns segmentos mantiveram crescimento relevante na demanda por embalagens. O agronegócio foi o principal destaque do trimestre, com avanço de 12% no consumo de embalagens flexíveis em relação ao mesmo período de 2025. O setor de bebidas também apresentou crescimento de 4,3%, enquanto varejo e pet food registraram alta de 2,9% e 3,6%, respectivamente. Já o mercado de higiene pessoal apresentou retração de 8,6%, refletindo o ambiente de consumo mais cauteloso observado no país.

Sobre as aplicações, filmes para embalagens mono e multicamadas, geomembranas e lonas seguem dominando o mercado, representando 70% da demanda total do setor. PEBD (polietileno de baixa densidade) e PEBDL (polietileno linear de baixa densidade) são as resinas mais utilizadas, responsáveis por 73% da produção de embalagens flexíveis no Brasil, seguidas por PP (polipropileno – 15%) e PEAD (polietileno de alta densidade – 12%).

Outro movimento importante do trimestre foi o aumento das importações de embalagens flexíveis. O volume importado cresceu 14,5% em relação ao quarto trimestre de 2025 e 16,9% frente ao primeiro trimestre do ano passado. “Com isso, o saldo da balança comercial do setor foi negativo, acendendo um alerta para a indústria nacional diante da crescente entrada de produtos asiáticos mais competitivos”, avalia Eduardo Berkovitz.

Segundo a MaxiQuim, o excesso de oferta global de resinas e transformados vem ampliando a pressão sobre os fabricantes brasileiros. No mercado petroquímico, o consumo aparente de poliolefinas registrou crescimento de 11,5% frente ao quarto trimestre de 2025 e 4,7% na comparação anual, impulsionado especialmente pelo polipropileno (PP).

Ao mesmo tempo, a indústria passou a enfrentar maior instabilidade nos preços das resinas em função das tensões geopolíticas envolvendo o Oriente Médio, que provocaram oscilações relevantes no mercado internacional do petróleo. Segundo a análise da MaxiQuim, o cenário aumentou a insegurança da cadeia produtiva, dificultando negociações comerciais e reduzindo previsibilidade de custos.

O relatório também mostra que a produção industrial brasileira cresceu 1% na comparação entre o primeiro trimestre de 2026 e o mesmo período do ano anterior. Entretanto, o avanço ainda é considerado insuficiente para gerar uma recuperação mais robusta da demanda por embalagens.

“Sem dúvida, estamos diante de um ambiente operacional mais desafiador para toda a cadeia de embalagens flexíveis. A combinação de custos elevados de matéria-prima, aumento da concorrência internacional e crescimento econômico moderado indica que o setor deve operar com maior prudência e foco em competitividade”, sintetiza o Presidente da ABIEF.

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