Eudora Royal tem primeira tampa “Made From Stone” do Brasil

Eudora
Perfumes Royal, de Eudora, têm tampas produzidas com material inovador

A busca por materiais de embalagem que reduzam custos e impactos ambientais é incessante. Há muitas frentes de pesquisa abertas, mas nem todas se mostram viáveis – seja por não terem preço competitivo, seja por não serem escaláveis. Algumas iniciativas, contudo, prosperam. Recentemente, em um movimento inédito no mundo, o Grupo Boticário adotou nas tampas das versões masculina e feminina do perfume Royal, de Eudora, uma matéria-prima chamada comercialmente de “Made From Stone” (MFS). São, oficialmente, as primeiras tampas de perfumaria do mundo produzidas com esse material.

Com patente requerida pela fabricante da matéria-prima, a Okeanos, o MFS é um composto feito principalmente de carbonato de cálcio, mineral abundante na natureza, encontrado no calcário, no giz e nas rochas (daí a origem do nome, que em português significa “feito de pedra”). Com ele, é possível substituir a maior parte do plástico convencional em peças de polipropileno e polietileno, com potencial de ganhos técnicos e econômicos.

Tampa é produzida com sobreinjeção

As tampas da linha Royal são produzidas com tecnologia de sobreinjeção em um único e eficiente ciclo industrial. O núcleo do sistema de fechamento é injetado com 100% de MFS, funcionando como um lastro inteligente, aproveitando a alta densidade do carbonato de cálcio para ancorar o peso no centro de gravidade da peça. A superfície externa é esculpida pela sobreinjeção de uma blenda de polipropileno (PP) com 75% de MFS, resultando em um componente que une estabilidade dimensional precisa a um peso substancial, entregando ao consumidor uma experiência tátil de sofisticação.

Franciele Saorin, expert de pesquisa de embalagem do Grupo Boticário
Franciele Saorin, do Grupo Boticário

“Nosso primeiro contato com a Okeanos aconteceu em 2020, por meio do time de pesquisa, com o objetivo de ampliar nosso portfólio de materiais sustentáveis”, recorda Franciele Saorin, expert de pesquisa de embalagens do Grupo Boticário. “Após dois anos intensos de testes em conjunto com a Aptar Beauty, que é a transformadora das peças, chegamos a diferentes combinações de resinas com o MFS, e em 2022 a tecnologia foi disponibilizada para os times de desenvolvimento que, em conjunto com a área de marketing, viram oportunidades de aplicação em nossos produtos.”

De acordo com Marcelo Cunha, gerente de desenvolvimento de negócios da Okeanos Brasil, o uso do MFS traz vantagens em diferentes frentes. “O carbonato de cálcio é um dos minerais mais abundantes da Terra, e está presente em todos os continentes”, diz ele. “E por ser naturalmente abundante há muito menos exposição às restrições de fornecimento ou à volatilidade de preços que afetam os plásticos derivados do petróleo e gás.” Segundo a empresa, o material custa entre 10% e 20% menos por quilograma do que o plástico convencional, dependendo da aplicação e da formulação.

No processo de transformação, o MFS é incorporado à formulação em substituição a uma parcela do plástico convencional, e é compatível com os três principais processos de moldagem de plástico em embalagens: injeção, extrusão e sopro. A quantidade máxima do mineral é ajustada de acordo com a necessidade e característica do produto, preservando as propriedades mecânicas, estéticas e funcionais exigidas. “A embalagem final apresenta o mesmo desempenho do plástico convencional, sem comprometimento da qualidade, e o material não tem impactos sobre os equipamentos de transformação”, explica Cunha.

O gerente da Okeanos garante que o uso do material traz outros benefícios mensuráveis, pois o carbonato de cálcio transfere calor com mais eficiência do que o plástico, de modo que o material aquece e resfria mais rapidamente durante o processo. “Os tempos de ciclo diminuem e o consumo de energia por quilograma de embalagem produzida é reduzido.”

O profissional revela também que o MFS tem produção no Brasil, e que o fornecimento local é uma prioridade nas operações da empresa. “Produzimos próximo aos nossos clientes por meio de uma rede global de plantas em cinco continentes, o que encurta as cadeias de suprimento, reduz as emissões de transporte e apoia as economias locais”, completa.

Marcelo Cunha, da Okeanos
Marcelo Cunha, da Okeanos

O MFS pode ser misturado com os tipos de plástico mais comuns utilizados em embalagens, incluindo polietileno (PE) e polipropileno (PP), virgem ou PCR. O material pode, ainda, ser formulado para reciclabilidade dentro dos fluxos existentes das poliolefinas. “Trata-se de uma escolha consciente feita durante a formulação e a fabricação, adaptada à aplicação e à infraestrutura de reciclagem disponível no mercado de destino”, afirma Cunha.

No Grupo Boticário, a experiência com o MFS vem sendo positiva. “Estamos combinando com maestria o melhor de dois mundos”, defende Franciele Saorin. “Enquanto o polipropileno atua como uma base indispensável, garantindo a flexibilidade estrutural, a alta resistência ao impacto e a estabilidade dimensional necessárias para a precisão da tração de fechamento da tampa, a introdução da carga mineral do Made From Stone potencializa essas qualidades de forma extraordinária.”

Segundo Saorin, essa fusão resulta em um composto de densidade significativamente maior, traduzido em uma tampa mais pesada e em uma presença física robusta. “Esse ganho de massa transforma a percepção do consumidor no momento do toque, agregando uma atmosfera de sofisticação, solidez e prestígio que remete diretamente ao mercado de luxo”, diz ela.

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