Levantamento realizado pela ABRE em parceria com a FGV IBRE aponta que 2026 será ano “desafiador”

O estudo macroeconômico da indústria de embalagens, realizado pela ABRE em parceria com a FGV IBRE e divulgado nesta quarta-feira (18/3), apresenta um cenário de cautela e desafios para o setor, influenciado por incertezas globais e domésticas.
Antes do conflito envolvendo EUA, Israel e Irã, a expectativa era de estabilidade no crescimento mundial (3,3% segundo o FMI). Agora, a alta no preço do petróleo pressiona a inflação global. A eleição presidencial e dúvidas sobre a dívida pública mantêm a incerteza econômica em níveis elevados.
O ano de 2026 é classificado como desafiador devido aos altos juros e incerteza geopolítica, o que coloca investimentos em “compasso de espera”. Contudo, espera-se um crescimento gradual da produção ao longo do ano, com impactos positivos vindos de eventos como as eleições e a continuidade do avanço das vendas online.
A apresentação foi feita durante evento presencial em São Paulo com transmissão online, reuniu especialistas do IBRE-FGV e da Tendências Consultoria para analisar o desempenho da indústria, as perspectivas macroeconômicas para 2026, e o cenário internacional mediante o conflito no Oriente Médio.
Indicadores de Mercado:
PIB: Previsão de crescimento de 1,7% em 2026, após uma desaceleração em 2025 (2,2%).
Inflação (IPCA): A meta para 2026 é de 4,10%, mas cenários pessimistas em função do preço do petróleo projetam até 4,68%.
Taxa SELIC: Esperada em 12,25% para o fim de 2026, com pressão inflacionária reduzindo o ritmo de quedas.
Câmbio: Previsão de R$ 5,40 para 2026.

Panorama do setor de embalagens
No fechamento de 2025, o setor de embalagens registrou variação estável do volume da produção física, em -0.3%, após expansão de 6,4% em 2024, com estabilidade nas participações de materiais no valor bruto da produção e desaceleração no segundo semestre devido a ajustes cíclicos. Já em relação ao valor bruto da produção, houve relativa estabilidade entre 2024 e 2025. O Valor Bruto da Produção (VBP) em 2025 totalizou R$ 165,7 bilhões, representando 2,8% do total da indústria de transformação.
Composição por segmento (VBP 2025):
Plástico: 37,6%
Metálicas: 18,9%
Papelão Ondulado: 18,8%
Cartolina e Papel Cartão: 9,7%
Vidro: 5,1%.



As projeções para 2026 indicam crescimento modesto de cerca de 0,2% na produção física (podendo variar entre -0,3% e 0,7%), impulsionado por consumo de não duráveis, reajuste do salário-mínimo e eventos como eleições e Copa do Mundo, apesar de juros elevados e endividamento familiar em alta (registrando próximo a 50% da população adulta inadimplente).
Empregos formais atingiram cerca de 278 mil trabalhadores no final de 2025, representando 3,4% da indústria de transformação, com crescimento similar ao da indústria geral em 1,4%.
No comércio exterior, importações somaram R$ 6,5 bilhões (3% do valor bruto da produção), com participações espalhadas (plásticos, metais e papel em destaque), enquanto as exportações de embalagens somaram R$ 5,6 bilhões em 2025.
“A indústria de embalagens reage de maneira muito próxima ao contexto macroeconômico, desde o poder de consumo dos brasileiros – influenciado tanto pela massa salarial ampliada como endividamento das famílias, até variações do câmbio, custos logísticos, e desempenho dos segmentos de bens não duráveis, semi e duráveis, entre outros. Trazer para os empresários do nosso setor esta visão macro consolidada é de grande valor para o planejamento dos seus negócios e de novos investimentos”, destaca Luciana Pellegrino, presidente executiva da ABRE.
O “Estudo ABRE Macroeconômico da Indústria de Embalagens e Panorama Político Nacional e Internacional”, encomendado pela ABRE à FGV IBRE desde 1997, detalha o desempenho das indústrias de embalagens de plásticos, metais, papelão ondulado, vidro, papel e papel cartão, e madeira, cobrindo produção física, valor de produção, empregos formais, importações, exportações e categorias de consumo.


