5 perguntas para Exequiel Bunge Berg, CEO da GrowPack

Recentemente, a Irani Ventures anunciou um aporte de cerca de 1 milhão de reais à GrowPack, empresa de biotecnologia voltada ao desenvolvimento de materiais de embalagem derivados de resíduos reaproveitados da agricultura. Em entrevista exclusiva para EmbalagemMarca, Exequiel Bunge Berg, co-fundador e CEO da GrowPack, explica o significado desse investimento e aponta oportunidades para os biomateriais no mercado de embalagens.

1. Conte, por favor, um pouco sobre a trajetória da sua empresa

A GrowPack nasceu em 2018 com a missão de transformar resíduos agrícolas abundantes no Brasil em biomateriais avançados para embalagens. Desde o início, focamos no desenvolvimento de uma tecnologia própria capaz de converter fibras lignocelulósicas, como a palha de milho, em materiais moldados com desempenho comparável ou superior ao de embalagens convencionais.

Até 2023, nossa trajetória foi marcada principalmente pela etapa de pesquisa e desenvolvimento, validação tecnológica e construção da nossa planta piloto, em Vinhedo (SP). Foi nesse período que desenvolvemos e patenteamos nosso processo de conversão termomecânica sem uso de cozimento químico, e foi quando validamos os primeiros protótipos com parceiros industriais como Ambev e Colgate.

A entrada da Irani Ventures, em 2023, representou um ponto de inflexão importante. A partir desse momento, passamos de uma fase predominantemente tecnológica para uma fase de validação comercial e escalabilidade industrial. Nos últimos dois anos ampliamos nosso portfólio para o setor de food service, consolidamos parcerias estratégicas com empresas como iFood e Wyda, expandimos nossa base de clientes recorrentes e multiplicamos nossa receita por quatro nos últimos 12 meses.

 2. E a partir desse segundo aporte? Que caminho o senhor vislumbra para a growPack?

Esse segundo aporte reforça um vínculo estratégico que vai muito além do capital. Ele nos permite acelerar três frentes fundamentais.

A primeira é escala industrial, ampliando nossa capacidade produtiva e preparando a empresa para uma nova etapa de crescimento comercial. Estamos posicionando a growPack como uma plataforma de inovação em fibra moldada e biocompósitos capaz de atender diferentes setores, que vão desde food service até cosméticos, horticultura e embalagens técnicas.

A segunda é desenvolvimento tecnológico, expandindo aplicações que validamos com clientes em diferentes segmentos durante os últimos meses.

E a terceira é expansão de mercado, tanto no Brasil quanto internacionalmente.

3. A posição favorável do Brasil no agronegócio faz com que soluções baseadas em biomateriais sejam mais facilmente escaláveis? O senhor enxerga isso é uma vantagem competitiva?

Sem dúvida. O Brasil reúne uma combinação única de fatores que o posiciona como um dos epicentros globais da bioeconomia.

O país possui a maior diversidade de biomassa do planeta e gera até 180 milhões de toneladas por ano de resíduos agrícolas lignocelulósicos, como palha de milho, bagaço de cana, casca de arroz e fibras de coco, entre muitas outras. Grande parte desse material ainda é subutilizada.

Ao mesmo tempo, o Brasil já é uma potência global em celulose, possui infraestrutura industrial consolidada e uma matriz energética majoritariamente renovável. Isso significa que processar biomassa aqui tem uma pegada de carbono significativamente menor do que em muitos outros polos industriais.

Essa combinação cria uma vantagem estrutural muito difícil de replicar em outras regiões. Em termos práticos, permite que tecnologias como a da GrowPack sejam escaladas com acesso a matéria-prima abundante e competitiva.

4. Olhando para movimentações recentes da GrowPack, o setor de alimentação aparece como um alvo relevante de sua atuação. Os seus materiais são todos homologados para contato com alimentos?

Sim. O setor de alimentação e food-service é hoje uma das principais aplicações da nossa tecnologia.

Os materiais desenvolvidos pela GrowPack possuem homologação da Anvisa para contato com alimentos, além de certificação de compostabilidade segundo normas brasileiras (ABNT/SENAI). Também estamos avançando em certificações internacionais, incluindo FDA e BPI, para ampliar nossa atuação em mercados globais.

5. Para finalizar, em que direção o senhor enxerga que a GrowPack está seguindo?

Nossa visão é clara: construir a empresa de biomateriais que lidere a transição para embalagens de base biológica e baixo carbono na América Latina. Nosso objetivo é desenvolver uma plataforma de baseada em fibras vegetais e polímeros naturais, com o Brasil no centro.

Isso significa que a mesma base tecnológica pode ser aplicada a diversas categorias de produtos — desde embalagens para alimentos até aplicações industriais e biocompósitos técnicos.

Outro ponto importante é o modelo de ecossistema que estamos desenvolvendo. A transição para materiais de base biológica não acontecerá de forma isolada. Ela exige colaboração entre diferentes setores da indústria. Trabalhamos de forma integrada com parceiros ao longo de toda a cadeia: produtores de biomassa, indústria de papel e celulose, empresas de materiais e grandes marcas que buscam inovação em embalagem.

Acreditamos que essa colaboração e uma das chaves para gerar impacto em escala.

O que estamos construindo na growPack é justamente essa ponte entre agricultura, ciência de biomateriais, indústria e mercado, para viabilizar uma nova geração de materiais circulares e de baixo carbono.

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