Por Ricardo Sastre*

A sociedade se organiza por clusters com afinidades similares, seja por aceitação ou por interesses diversos. As redes sociais se configuram desta forma. É possível encontrar grupos que apreciam a mesma música de uma banda famosa ou outras afinidades bem específicas. Torna-se interessante organizar e buscar o fortalecimento dos grupos sociais. A especialização é uma boa estratégia para atuar no mercado, além de melhorar a visibilidade, as energias são direcionadas para um objetivo específico.
A embalagem é uma área de atuação que ainda busca seu espaço e valorização no mercado. Apesar do seu faturamento bilionário, relevância para a vida no planeta e a estar presente em todos os momentos do dia, com muita frequência ela é invisível e só é percebida quando apresenta algum problema.

Sendo uma área específica, a embalagem também está organizada como um grupo, composto por empresas, entidades de classe e pessoas, organizado como agentes externos e internos (stakeholders). Contemplar os requisitos e equilibrar os anseios dos envolvidos é sempre um desafio em um projeto de embalagem.
Apesar da evolução e crescimento constante, o setor ainda precisa superar alguns desafios e conquistar espaço. No Brasil ela não é considerada como uma área de conhecimento autônoma, são poucas linhas de pesquisa específicas em embalagens e o conhecimento está disperso na literatura. Estima-se que 55% das áreas de conhecimento possuem uma relação direta com a embalagem.
Em relação ao mercado, os CNAES (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) necessitam ser repensados e incluídas novas atividades mais específicas. No INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial), órgão responsável por registro de marcas, patentes e desenhos industriais, existe uma dificuldade em enquadrar um novo lançamento relacionado a embalagem. Nem sempre é possível escolher uma classe adequada para um novo registro de marca, invenção ou desenho. No ministério do trabalho é outro desafio para enquadrar uma função no setor. Este parágrafo é para ilustrar alguns pontos a serem conquistados, sem a pretensão de esgotar o tema.
Diante de tantos desafios, é latente a necessidade da realização de um senso para identificar com maior precisão quem são e as características das empresas e profissionais que atuam no setor de embalagem. É necessário conhecer e conectar as pessoas envolvidas no setor e promover uma integração mais efetiva.
O ecossistema da embalagem é complexo. Cada subárea busca defender os seus interesses e muitas vezes acabam sendo conflitantes com outras subáreas, prejudicando o setor como um todo. Não temos tempo a perder, há muito a ser conquistado. As entidades de classe devem cumprir seu papel de integração e intermediação de interesses, promovendo a harmonia e o crescimento ordenado. As empresas devem olhar para o todo, setor fortalecido, o ganho é compartilhado. As pessoas que atuam na embalagem devem se unir e elevar o nível de soluções a serem entregues e criar um ponto de discussão para conquistar mais espaço, intervindo nos ajustes necessários para os enquadramentos mencionados no parágrafo anterior. A meta é a melhoria contínua.
Diante de tantas variáveis, perfis e interesses, é desafiador o direcionamento de esforços. O primeiro passo para o fortalecimento da área é promover um diálogo franco e criar ferramentas para mapeamento e integração (a área acadêmica possui diversos métodos validados que estão a disposição para serem utilizados).
Conectar pessoas e direcionar esforços é uma arte a ser aprimorada.


