Por Ricardo Sastre*

A embalagem só aparece quando não funciona. Ela está tão integrada com o produto que em nosso dia a dia torna-se imperceptível. Os consumidores de uma maneira geral dificilmente refletem sobre ela, a não ser que seja um profissional da área. No ponto de venda ela chama atenção do consumidor, mas nem sempre é racional a nossa decisão de compra.
Como profissão, é muito difícil um estudante de ensino médio considerá-la como uma opção de carreira, mesmo porque a embalagem no Brasil não é considerada como uma área de conhecimento autônoma. Aproximadamente 55% das áreas possuem relação direta, o que acaba direcionando os profissionais durante o curso de graduação ou experiências de trabalho nas empresas. Geralmente quem ingressa nesse universo, dificilmente sairá por se identificar ou pela flexibilidade de atuar em várias funções.
Em pesquisas acadêmicas, publicações e palestras, raramente a embalagem aparece como protagonista. Permeando em diversos temas, sendo objeto principal como a reciclagem por exemplo, ela é pouco explorada. É a sensação de invisibilidade. No caso da reciclagem, a embalagem é o principal resíduo, mas pouco se reflete sobre a sua forma, design, funcionalidade, dentre outros temas importantes. Simplesmente ela chegou em seu fim de vida e agora será preciso dar conta para a redução de impacto. Como ela chegou e uma reflexão sobre a real necessidade da embalagem é pouco comentado.
Dar visibilidade para a embalagem é uma missão de todo nosso ecossistema, devido a sua importância, é necessário que ela seja percebida para que possamos desenvolver embalagens cada vez melhores, com olhar sistêmico, multidisciplinar e que os consumidores possam questionar e fomentar melhorias.
Novos pensadores e pesquisadores devem se associar aos profissionais atuantes para aprender, somar, contribuir e levar este legado adiante, cada vez mais questionador, reflexivo e propondo soluções assertivas a partir do olhar da embalagem como protagonista.

A embalagem deveria estar na pauta de todas as áreas que dependem dela para serem competitivas, em congressos do varejo, indústrias de equipamentos, exportação, setores como café, cosméticos, bebidas, doces e muitos outros. Sua participação deve ser efetiva e destacada, afinal, qual é o primeiro contato do consumidor com a marca? Em mercados específicos onde a embalagem exerce uma influência enorme para a viabilidade e crescimento de negócios, ela deveria ocupar cadeiras em conselhos.
Seu faturamento mundial é trilionário, a embalagem é o principal produto de muitas indústrias de matéria-prima, ela é o resíduo visível e assinado por marcas, possibilita a conservação e distribuição de produtos ao redor do planeta. É parte integrante de muitas invenções que contribuem com a preservação da humanidade como vacinas e medicamentos.
O que está faltando para ela se tornar protagonista e ocupar um espaço maior nas discussões acadêmicas e no mercado? Precisamos refletir, incentivar ações, encorajar novos profissionais e atuar conjuntamente para ampliar nossa área de atuação.


