Por Marcos Palhares

Visitar uma feira de negócios do porte da Interpack, realizada em Düsseldorf (Alemanha) entre os dias 7 e 13 de maio, com o objetivo de extrair informações que apoiem profissionais brasileiros que não puderam estar no evento a tomarem decisões de projeto é uma responsabilidade enorme.
Como ponto de partida em busca de uma análise neutra, é importante entender o contexto em que a feira é realizada. Afinal, apesar de seu caráter internacional, é preciso sempre lembrar que ela tem uma visão bastante eurocêntrica. Por isso, não é possível desvincular o cenário atual de crise vivido na Europa do que foi exposto nos pavilhões.
Num ambiente em que as economias patinam, onde falta mão de obra nas fábricas e que vive sob pressão com a entrada em vigor da PPWR (Packaging and Packaging Waste Regulation), arcabouço regulatório que traz mais rigor em termos de redução de impactos ambientais causados por embalagens, nada mais natural que a busca por produtividade e por soluções sustentáveis serem o centro das atenções. Mas, do que foi apresentado, o que é realmente uma peculiaridade europeia, e o que pode ser visto como rumo inevitável para o resto do mundo (nós, inclusive)?
Além de entender o contexto, uma análise da Interpack também precisa ser conduzida em duas dimensões diferentes. A primeira, mais geral, requer uma visão panorâmica, necessária para que se extraiam os rumos da indústria. Afinal, todos os desenvolvimentos realizados refletem demandas dos brand owners, que por sua vez acompanham de perto os anseios de seus consumidores – e muitas dessas empresas têm atuação global. E é a soma de múltiplos pequenos avanços em tecnologias de material e de processo que ajuda a formar um manancial de informações, de onde é possível filtrar as principais tendências do setor.
A segunda camada que uma visita cuidadosa e criteriosa aos estandes pode propiciar é mais específica, e está relacionada a questões práticas das empresas que enviaram representantes à feira. O olhar desses profissionais, nesse caso, busca profundidade, detalhes que só quem sabe os rumos de um projeto é capaz de procurar.
É verdade que aqueles que (como o representante de EmbalagemMarca na Interpack) não têm envolvimento direto com problemas reais das linhas de produção deparam-se, vez por outra, com soluções inusitadas e inovadoras, que merecem ser trazidas ao público geral. Mas sem ter uma aplicação iminente, o olhar concentra-se num único ponto – aquele em que a novidade se encontra – e perde-se a visão sistêmica tão necessária para que os projetos caminhem bem. Afinal, boas ideias sem um projeto em que possam ser aplicadas servem apenas como inspiração – e também para tornar mais atraentes as tradicionais (e majoritariamente inócuas) palestras pós-feira feitas por especialistas que, certamente, pipocarão nos próximos dias.
Por isso, essa análise está concentrada na visão macro, nas tendências mais gerais, que podem ser acessadas nos links abaixo. Aquilo que é específico será publicado em notas independentes ao longo dos próximos dias.


