Automação e IA para trazer eficiência e flexibilidade às linhas produtivas

Fotos: Messe Düsseldorf Tillmann

Na área de processamento e envase, pode-se sintetizar o que a Interpack 2026 trouxe para os visitantes em alguns conceitos-chave: automação, rastreabilidade, avanço do uso de inteligência artificial (IA) e flexibilidade.

Na prática, isso é reflexo do contexto atual da indústria, que vive sob pressão para entregar maior produtividade e mais competitividade aos fabricantes de bens de consumo, atolados em mercados com baixo (ou nenhum) crescimento e precisando manter suas margens diante de um cenário de inflação aquecida e renda comprimida. Soma-se a isso um fato que se repete em diferentes regiões do mundo, que é a escassez de mão de obra qualificada, com cada vez menos profissionais se interessando por conduzir suas carreiras no chão de fábrica.

Foram apresentadas máquinas para automatizar os mais diferentes processos. Os objetivos declarados pelos fabricantes eram consistência na produção, precisão na execução das tarefas, aumento na produtividade e redução no número de operadores. 

Via de regra, essas soluções eram monitoradas e turbinadas com soluções de IA capazes de corrigir, em tempo real, eventuais desvios, além de criar parâmetros para otimiza a eficiência tanto do próprio equipamento como de linhas similares.

Além desse monitoramento, não eram poucos os estandes que disponibilizavam produtos e serviços voltados à rastreabilidade (muitos dos quais ligados à demanda do Passaporte Digital de Produtos, uma espécie de “carteira de identidade” dos produtos comercializados dentro da União Europeia). O maior volume de dados coletados está atrelado, evidentemente, às rigorosas demandas regulatórias da União Europeia. Mas o que a cadeia produtiva entendeu é que essas informações são valiosas, e podem ajudar a eliminar desperdícios e a entender melhor a jornada do produto, trazendo à área de marketing dos brand owners maior conhecimento sobre seus diferentes stakeholders.

Da necessidade dos brand owners também advém a já consolidada tendência de que as linhas produtivas sejam mais flexíveis para operar com diferentes formatos e produtos. A crescente fragmentação dos mercados de consumo e a enorme velocidade com que os novos lançamentos chegam às prateleiras exigem das fábricas agilidade e rapidez no setup de produção. Os equipamentos voltados ao setor de embalagens mostram nitidamente que entenderam o recado.

Como resumo, o que se pode trazer da avaliação das máquinas e equipamentos para processamento e envase é que a cadeia de embalagens vem se aproximando. Fabricantes de máquinas, fornecedores de matérias-primas, transformadores e convertedores, sob a batuta de seus clientes, vêm trabalhando em conjunto. As demandas do mercado não estão sendo abordadas de forma isolada por cada elo da cadeia produtiva. O olhar é sistêmico. E isso ficou claro no enorme esforço percebido para viabilizar novos materiais (leia AQUI). 

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