Produção de embalagens plásticas flexíveis cresce no terceiro trimestre

O consumo aparente de embalagens plásticas flexíveis no Brasil atingiu 590 mil toneladas no terceiro trimestre de 2026, com crescimento de 1,1% em relação ao trimestre anterior e de 0,6% frente ao mesmo período de 2025. A produção nacional somou 569 mil toneladas, avanço de 0,8% na comparação trimestral, mas houve uma queda de 3% em relação ao terceiro trimestre do ano passado. Os dados integram o Relatório de Desempenho feito pela Maxiquim com exclusividade para a ABIEF – Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis.

O período também foi marcado pelo crescimento das importações em ritmo superior ao da demanda doméstica. As compras externas alcançaram 43,2 mil toneladas, alta de 7,6% sobre o segundo trimestre de 2026 e de 48,8% na comparação anual. Com isso, a participação dos importados no consumo aparente chegou a 7,3%, ante 6,9% no trimestre anterior e 4,9% no terceiro trimestre de 2025; este é o maior nível da série recente, segundo o Relatório.

As exportações totalizaram 22,6 mil toneladas, crescimento de 3,9% em comparação ao trimestre anterior, mas representam uma retração de 24,4% em relação ao mesmo período de 2025. O saldo comercial ficou negativo em 20,6 mil toneladas, ante déficit de 18,4 mil toneladas no segundo trimestre de 2026 e superávit de 0,9 mil tonelada no terceiro trimestre de 2025. De acordo com a análise da MaxiQuim, o aumento da presença dos importados intensificou a pressão competitiva sobre a indústria nacional.

“É interessante perceber que os alimentos seguem liderando a demanda, enquanto as indústrias de higiene pessoal e limpeza doméstica avançam na comparação anual”, pontua o Presidente da ABIEF, Eduardo Berkovitz. Com base no Relatório, fica claro que o segmento de alimentos permaneceu como o principal mercado consumidor de embalagens plásticas flexíveis, com 226,9 mil toneladas e participação de 38,5% no consumo aparente. O volume cresceu 2,9% em relação ao segundo trimestre de 2026, mas recuou 1,7% frente ao terceiro trimestre de 2025.

O agronegócio respondeu por 84,1 mil toneladas, com queda de 2,8% na comparação trimestral e alta de 3,0% na anual. Já o mercado industrial consumiu 79,1 mil toneladas, avanço de 2,4% sobre o trimestre anterior e retração de 0,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Em bebidas, a demanda atingiu 68,2 mil toneladas, com crescimento nas duas bases de comparação: 1,3% no trimestre e 2,1% no ano.

Higiene pessoal e limpeza doméstica apresentaram as maiores taxas de crescimento anual entre os mercados pesquisados. A demanda de higiene pessoal alcançou 17,1 mil toneladas, alta de 7,4% frente ao terceiro trimestre de 2025 e de 3,6% em relação ao trimestre anterior. Em limpeza doméstica, o consumo somou 31,1 mil toneladas, com expansão de 6,9% na comparação anual e de 3,1% na trimestral.

Produção com resina reciclada cresce

As embalagens monocamada representaram 55% da produção no terceiro trimestre, com 314 mil toneladas. As estruturas multicamada responderam pelos outros 45%, equivalentes a 255 mil toneladas. Frente ao trimestre anterior, a produção de monocamada aumentou 1,4%, enquanto a de multicamada recuou 0,1%. Na comparação anual, houve retração de 3,2% e 2,8%, respectivamente.

No recorte por origem da resina, a produção com material reciclado atingiu 29,4 mil toneladas, crescimento de 3,1% sobre o segundo trimestre de 2026 e de 6,8% frente ao terceiro trimestre de 2025. Esse volume correspondeu a 5% da produção do período. As embalagens produzidas com resina virgem representaram 95% do total, com 540 mil toneladas, alta de 0,6% na comparação trimestral e queda de 3,5% na anual.

Para Eduardo Berkovitz, a expectativa é que a sazonalidade, característica do fim de ano, favoreça o consumo de embalagens plásticas flexíveis no quarto trimestre de 2026, especialmente nos segmentos de alimentos, bebidas e varejo. Mas a análise considera um cenário de crescimento econômico moderado, com juros ainda elevados restringindo crédito, consumo e investimentos.

“Mesmo com a perspectiva favorável para a demanda, vemos, no Relatório, que a produção nacional poderá desacelerar nos últimos meses do ano, em relação ao terceiro trimestre. O desempenho dependerá principalmente do nível de estoques na cadeia e do comportamento das importações, fatores que influenciarão o atendimento do consumo pelos fabricantes nacionais.” Férias coletivas e paradas programadas em dezembro também tendem a reforçar essa desaceleração.

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