Análise: Fórum Abre de Sustentabilidade indica direções

Por Marcos Palhares

Fórum Abre de Sustentabilidade

Nos dias 15 e 16 de abril, cerca de 900 profissionais da cadeia de embalagens se reuniram em São Paulo para discutir a sustentabilidade como forma de as empresas elevarem sua competitividade e criarem impacto positivo. Tendo como tema central a busca pela circularidade, o Fórum Abre de Sustentabilidade em Embalagem e Consumo, realizado pela Associação Brasileira de Embalagem, trouxe para o debate um assunto incômodo, mas necessário: a busca por soluções que minimizem os efeitos negativos do descarte inadequado de resíduos sólidos. “A mensagem principal do Fórum foi provocar as empresas a colocar a circularidade como estratégia de negócio, e não mais como uma iniciativa pontual, um departamento, um projeto”, avalia Luciana Pellegrino, presidente executiva da entidade.

Trazendo exemplos do que ocorre em outros países e mostrando o trabalho realizado por grandes fabricantes de bens de consumo, o evento teve o mérito de congregar diferentes stakeholders e trazer perspectivas variadas sobre a questão da sustentabilidade. “Tivemos aqui representantes da indústria de matérias-primas e insumos, dos transformadores de embalagens, do governo, da cadeia de reciclagem, além da presença marcante de donos de marca”, relata Luciana. “Chamou muito a atenção a participação do Ministério do Meio Ambiente e de outros níveis de governo, pois o envolvimento do setor público nessa discussão é fundamental para que a circularidade possa ser promovida em diferentes regiões do país.”

Fórum Abre de Sustentabilidade
Luciana Pellegrino, presidente executiva da Abre

Outro ponto positivo do Fórum Abre de Sustentabilidade foi trazer à tona a necessidade de a indústria apoiar o ecossistema de reciclagem e participar da estruturação dessa cadeia, ajudando a consolidar dados e promovendo ações que estimulem a rastreabilidade dos resíduos. “Fazemos parte dessa estruturação”, define a presidente executiva da Abre. Nas apresentações realizadas, também se destacou a importância de que a cadeia de embalagens promova ações que ajudem a engajar os consumidores – grupo fundamental para o sucesso de qualquer esforço que indústria e governo realizem no sentido de minimizar os impactos do descarte de resíduos sólidos.

Na área ao redor de onde foram realizadas as apresentações, os patrocinadores puderam expor suas iniciativas para promover a circularidade. No tempo vago, o qualificado público do evento teve a oportunidade de estreitar relacionamentos com seus pares.

Após dois dias intensos de conversas sobre sustentabilidade, o saldo foi altamente positivo. Ainda são necessários muitos avanços na infraestrutura de coleta e reciclagem dos diferentes materiais de embalagem, nos marcos regulatórios e, claro, na conscientização da cadeia produtiva a respeito da necessidade de incorporar o tema à sua agenda estratégica. Mas pode-se dizer que, apesar do longo trajeto pela frente, as direções foram apontadas. “Ouvindo todas as experiências internacionais, o que está acontecendo ao redor do mundo, fica claro que o Brasil tem uma agenda muito consistente”, aponta Luciana Pellegrino. “Há muitos desafios, arestas que precisam ser aparadas, mas o que estamos criando aqui, os mecanismos, os programas de apoio, de incentivo, as colaborações público-privadas, o trabalho de organizações não governamentais e da sociedade civil, tudo isso precisa ser destacado. Estamos construindo um caminho bastante promissor para gradativamente chegarmos à circularidade.”

Veja no site do evento a relação dos palestrantes e os temas abordados

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