Por João Carlos de Abreu Guimarães*

A indústria de embalagens vive um momento de intenso dinamismo, alinhado ao ritmo de crescimento da economia e consolidando-se como uma das principais forças da indústria de transformação. Mas, em meio à expansão e modernização das linhas de produção, um desafio estrutural segue no centro das decisões empresariais: o custo e a gestão da energia elétrica.
O setor tem uma alta intensidade energética, que alcançou um Valor Bruto de Produção de R$ 165,9 bilhões em 2024, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), especialmente em processos como extrusão, moldagem e laminação. Essa dependência faz com que a energia elétrica seja um insumo essencial e fator determinante para a competitividade. Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que 78% das indústrias brasileiras utilizam a eletricidade como sua principal fonte de energia, uma realidade que pressiona os custos, limita margens e reforça a necessidade de estratégias cada vez mais eficientes de gestão da conta de luz das empresas.
O que antes era considerado apenas um custo operacional tornou-se uma variável estratégica de gestão. A busca por controle e previsibilidade levou a indústria a uma migração em massa para o mercado livre. Levantamento mais recente da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel) aponta que 95% do segmento consome energia elétrica neste ambiente.
Essa adesão tem ganhado espaço em toda a cadeia produtiva. Para se ter uma ideia, o acesso à modalidade para consumidores de menor porte, autorizado pela Portaria nº 50/2022 do Ministério de Minas e Energia, fez com que 77% das migrações em 2024 fossem de Pequenas e Médias Empresas (PMEs), de acordo com a Abraceel. Assim, todo o ecossistema de fornecedores e parceiros do setor de embalagens passou a ter a liberdade de usufruir dos benefícios do mercado livre.
O interesse do consumidor não é por acaso. O mercado livre pode ser considerado como uma alavanca dupla de competitividade, o que impacta diretamente o custo operacional e a agenda ESG. No pilar financeiro, o principal atrativo é a negociação direta com geradoras e comercializadoras. Essa flexibilidade permite chegar a contratos alinhados ao perfil de consumo de cada indústria, com prazos e preços que melhor atendam aos níveis de riscos do consumidor. O objetivo ao final é manter o custo de contratação de energia o mais baixo possível e previsível.
Ocorre que, para se atingir esse resultado, cada empresa teria de ter uma equipe especializada. Isso é possível com a contratação de uma consultoria de gestão especializada em prover o assessoramento estratégico para se chegar a tão desejada redução de custo. O Boletim da Energia Livre, divulgado pela Abraceel, aponta que em agosto houve uma economia de 53% aos consumidores do mercado livre no custo de energia quando se compara a tarifa média das distribuidoras com o preço de longo prazo do mercado livre. E a previsibilidade é outro fator relevante: no mesmo período, 46% do volume de energia contratado no mercado livre possuía prazo superior a quatro anos.
Esse benefício também é estratégico para organizações focadas em práticas de ESG e sustentabilidade. A indústria de embalagens enfrenta crescente pressão para reduzir sua pegada de carbono, e a energia tem papel central nessa agenda. No mercado livre, as empresas podem contratar energia proveniente de fontes renováveis, com a possibilidade de escolher uma matriz energética alinhada às suas metas de sustentabilidade e perfil de consumo.
Essa liberdade contratual é um forte diferencial, pois possibilita a definição da composição do fornecimento, priorizando a sustentabilidade de forma estratégica sem comprometer a segurança operacional. Além disso, a possibilidade de adesão a certificações globais, como o I-REC (International Renewable Energy Certificate), pode comprovar formalmente a origem limpa da energia e agregar credibilidade ao posicionamento da marca.
Mas, migrar para o mercado livre é apenas o primeiro passo para se obter as reais vantagens dessa escolha. O grande diferencial competitivo está na gestão ativa e estratégica do contrato. Questões como sazonalidade da produção, modulação do consumo e projeções de demanda influenciam diretamente o resultado financeiro. Por isso, contar com uma consultoria especializada é essencial para garantir conformidade regulatória e maximizar os ganhos obtidos. Em suma, o mercado livre de energia permite que a indústria de embalagens transforme um custo elevado em vantagem competitiva. Em um setor dinâmico e altamente competitivo, quem administra melhor seus insumos, entre eles a energia elétrica, sai na frente e torna-se mais competitivo.


