
A Cirklo, uma das maiores recicladoras de PET do Brasil, anuncia a captação de R$ 260 milhões por meio da emissão de debêntures verdes, em operação estruturada, integrada ao Programa Eco Invest, que atrai investimentos a projetos sustentáveis e contam com condições incentivadas que mitigam riscos e asseguram desempenho. Os recursos serão destinados à aceleração do plano de expansão da companhia, que encerrou 2025 com capacidade nominal de 115 mil toneladas por ano, resultado do plano de expansão e da abertura de novas unidades fabris em Maceió (AL) e Ananindeua (PA).
Criada e controlada pela Flying Rivers Capital, gestora especializada em investimentos climáticos, a Cirklo reforça sua atuação como vetor da descarbonização da cadeia do plástico, conectando investimento, inovação industrial e política pública ambiental. A captação está alinhada aos critérios da International Capital Market Association (ICMA) para títulos verdes e conta com a anuência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), consolidando a empresa como referência em finanças sustentáveis aplicadas à indústria.
A operação ocorre em um momento-chave para o setor, marcada pela entrada em vigor da norma federal de logística reversa de embalagens plásticas (12.688/2025, conhecido como Decreto do Plástico), que estabelece uso obrigatório de 22% de conteúdo reciclado em embalagens e amplia a responsabilidade das empresas sobre o ciclo completo. Nesse contexto regulatório mais exigente, o aporte posiciona a Cirklo como um dos principais players da infraestrutura da economia circular no país, ao ampliar a oferta de resina reciclada de grau alimentício em escala industrial.
Os recursos permitirão acelerar a transformação de mais de 6 bilhões de garrafas por ano em resina reciclada de grau alimentício, certificada por órgãos como Anvisa e FDA, o que corresponde a uma média aproximada de 17 milhões de unidades por dia. O movimento fortalece a oferta nacional de r-PET de alta qualidade e grau alimentício, reduz a dependência de resina virgem e amplia o impacto ambiental direto da operação, ao mesmo tempo em que gera eficiência econômica para toda a cadeia.
“Esses investimentos chegam em um momento simbólico para a Cirklo. Encerramos 2025 com uma expansão relevante da nossa capacidade industrial, com a incorporação da Clodax no Nordeste e o início da operação da nova fábrica no Norte, fruto de uma parceria estratégica com a Solar Coca-Cola. Em um cenário regulatório mais robusto e com maior demanda por soluções circulares, esse aporte amplia nossa capacidade de responder ao mercado e de acelerar a transição da cadeia de PET para um modelo mais sustentável”, afirma Irineu Bueno Barbosa Junior, CEO da Cirklo.
O executivo destaca ainda que o ambiente internacional e nacional é favorável à agenda de investimentos sustentáveis. “Com a realização recente da COP 30 e a projeção de impactos de R$ 40 bilhões no PIB e 312 mil empregos adicionais ligados à bioeconomia, o Brasil entra definitivamente no radar global da economia verde. Esse capital não é apenas financeiro: ele é estruturante para a competitividade industrial e para o avanço da economia circular”, acrescenta.
Financiamentos verdes ganham papel estrutural no desenvolvimento industrial
O mercado brasileiro de finanças sustentáveis vive um novo ciclo de expansão. De acordo com a Climate Bonds Initiative, o volume de emissões brasileiras rotuladas como verdes já soma cerca de US$ 30 bilhões, dentro de um universo total de US$ 67,8 bilhões em títulos sustentáveis no país. Esse movimento consolida o capital verde como motor estratégico de desenvolvimento econômico, inovação e modernização industrial.
Nesse contexto, operações como a da Cirklo demonstram como o financiamento verde deixou de ser uma agenda periférica para se tornar um instrumento central de transformação setorial, conectando investidores a projetos com impacto ambiental mensurável, retorno econômico e aderência a políticas públicas.
“O financiamento verde hoje é um pilar da competitividade nacional. Ele conecta capital a projetos com impacto real, viabiliza escala industrial e acelera a transição para modelos produtivos mais eficientes e sustentáveis”, destaca o CEO.
Reciclagem de PET na rota da descarbonização
Os investimentos ampliam o impacto socioambiental positivo da Cirklo, que vem desenvolvendo diferentes iniciativas para solidificar a economia circular no Brasil. Exemplo disso é o trabalho realizado com cooperativas de catadores de todo o Brasil, fortalecendo a base social da cadeia de reciclagem. Em 2025, a empresa firmou um termo de compromisso com a Associação Nacional de Catadores (ANCAT) para o desenvolvimento de soluções voltadas à ampliação da coleta seletiva de PET e da cadeia de reciclagem em escala nacional.
O Brasil recicla atualmente cerca de 53% das embalagens de PET pós-consumo, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet). “Como o material pode ser 100% reciclado, esse é o melhor exemplo de circularidade em embalagens plásticas que existe. Não à toa, indústrias que fazem uso de outros tipos de plástico em suas embalagens têm migrado para o PET, sendo esse um vetor de crescimento para recicladoras produtoras deste material”, acrescenta Irineu Barbosa.
O PET, por si, é um tipo de plástico com alto potencial sustentável. Segundo Análise do Ciclo de Vida da Embalagens PET para Alimentos Líquidos, conduzido pela Abipet, o PET tem um potencial de mudança climática 44% menor em comparação com embalagens de alumínio, e 93% menor em relação a embalagens de vidro. O estudo aponta que o PET e sua reciclabilidade são um importante motor de descarbonização para a indústria em geral.
Uma nova composição com mais de 25 anos de história e escala nacional
Resultado da fusão entre a Green PCR e a Global PET — empresas líderes em reciclagem que somam mais de 25 anos de trajetória conjunta — e com o suporte estratégico da gestora Flying Rivers e do fundo internacional Circulate Capital, a Cirklo nasce com perfil nacional e escala industrial. A Companhia atua com operações robustas em São Paulo, Paraíba e, mais recentemente, em Alagoas e Pará, ampliando sua presença nas regiões Nordeste e Norte.
Com tecnologia de ponta, foco em inovação e impacto social direto, a empresa se posiciona como uma das organizações que melhor representam os avanços do Brasil na promoção da sustentabilidade industrial e no enfrentamento estrutural da crise do plástico, conectando capacidade produtiva, rastreabilidade e circularidade em escala.
A partir de análises conjuntas da Abipet e da Cirklo, estima-se que o mercado de r-PET movimente cerca de R$ 1,6 bilhão por ano no país. A tendência é de aceleração desse mercado nos próximos anos, impulsionada tanto por demanda industrial quanto por avanços regulatórios.
“O Decreto do Plástico cria um novo patamar de demanda por r-PET. Nesse contexto, as captações via títulos verdes cumprem um papel estratégico ao estruturar a cadeia produtiva para esse novo ciclo da economia circular”, afirma Irineu.
“Os investimentos no setor geram valor em toda a cadeia — da indústria aos catadores. As famílias que atuam diretamente na coleta e na triagem dos resíduos também se beneficiam. Se o objetivo é gerar impacto social real por meio de instrumentos financeiros, a cadeia de reciclagem é um dos destinos mais eficazes para esse capital”, destaca o executivo.
Nesse cenário, a Cirklo consolida-se como um dos principais players da reciclagem de PET no Brasil, com presença nacional e compromisso com inovação, rastreabilidade e responsabilidade socioambiental. “Esperamos que 2026 marque um novo ciclo de crescimento para todo o setor. À medida que as indústrias reconhecem cada vez mais o papel estratégico da reciclagem de PET, avançamos não apenas em sustentabilidade, mas na construção de um modelo produtivo mais resiliente e alinhado às exigências globais”, conclui o executivo.


