Por Ricardo Sastre*

A palavra inglesa briefing, em uma tradução livre para a língua portuguesa significa resumo, instrução, direção e até mesmo uma comissão. O significado da própria palavra design já abre uma discussão recorrente, porém, esse tema será deixado para outro momento.
O briefing é a reunião preliminar com os envolvidos no projeto para coletar as instruções e direcionamentos sobre um novo desafio, em nosso caso, especificamente uma embalagem. As fases macro de um projeto pode ser divididas em Briefing, planejamento, desenho, implantação e validação.

Na fase de planejamento os envolvidos se reúnem para definir quais caminhos seguir, baseado na coleta de dados preliminar. Quanto mais completas e assertivas as informações, melhor. O desenho é a fase de materialização das ideias através do design gráfico, estrutural e sistêmico da embalagem. A fase de implantação é produzir e lançar no mercado. Na fase de validação é a verificação de como o novo produto está se comportando e se atendeu a todas as expectativas do projeto. Recomenda-se sempre fazer lotes iniciais menores para viabilizar possíveis ajustes, apontados na última fase.
É interessante observar que antes da reunião preliminar de um projeto (briefing), o repertório individual e coletivo das equipes são tão importantes quanto a própria definição de caminhos. Ao longo da vida, vamos colecionando experiências e sensações em tudo que nos relacionamos, seja um momento feliz que guardaremos para sempre, uma situação desagradável ou pequenos estímulos diários. Nesse sentido, atualmente recebemos milhares deles e a dificuldade está em filtrá-los.
Hábitos saudáveis como assistir uma peça de teatro, um filme, visitar uma exposição, praticar esportes, ler sobre diversos temas, ir mudando pequenos hábitos como escolher caminhos diferentes para ir ao trabalho, são bons estímulos para aumentar nosso repertório. Em um mesmo trajeto, realizado a pé, de patinete, moto, carro ou ônibus nos trazem percepções diferentes. A velocidade em que passamos na mesma rua, influência em nossa percepção. Estar atento e aberto a novas experiências são pontos de partida para um observador.
Certamente, se pedirmos para a inteligência artificial gerar uma imagem de um pato misturado com o regador ela o fará, com alguns refinamentos poderá reproduzir nossos pensamentos. O caminho que permitiu pensar em misturar esses dois elementos veio de um repertório humano criado ao longo da vida. Desenhar a mão livre expressaria melhor os sentimentos.
As conexões geradas em nosso cérebro são aleatórias. Pela lógica o pato e o regador se relacionam com a água e possuem formas parecidas. Emocionalmente pode representar uma relação afetiva como regar as plantas do jardim com seus avós ou observar a tranquilidade dos patos em uma paisagem bonita.
Além da formação do repertório, o momento e o local em que o projeto está sendo desenvolvido também influencia no resultado. Nem sempre estamos em um ambiente favorável à criatividade ou a concentração, o acúmulo de tarefas ou estado mental interferem nos resultados. Há quem diga que o projeto escolhe a hora certa para chegar. Os grandes feitos da humanidade foram realizados em causas e condições favoráveis para obterem aquele resultado.
É importante ampliar a forma de vermos o mundo, em um sistema complexo sempre haverá etapas e interação entre elas, com resultados previsíveis ou não. Crie causas e condições para o desenvolvimento de melhores embalagens, amplie o repertório próprio e desenvolva equipes com olhares complementares.
Na ciência, o mesmo fenômeno pode ser interpretado de diferentes maneiras, baseado em repertórios próprios de cada área. Busque a amplitude e esteja preparado para absorver conhecimento fora do seu espaço de atuação. Seja ponderado e esteja aberto a aprender sempre. Antes do briefing vem o repertório!


