Por Ricardo Sastre*
É recorrente nas empresas chamar embalagem de SKU que é uma sigla em inglês e significa Stock Keeping Unit, em uma tradução livre pode ser uma unidade de manutenção de estoque. É um código criado internamente por uma empresa para identificar e diferenciar as variações de produto, geralmente formado por letras e números, dependendo da quantidade de itens a serem geridos.
Este código serve para controlar estoque, agiliza a separação e torna este procedimento mais assertivo, podendo ser utilizado na área comercial para analisar o desempenho de itens no mercado e facilita a leitura em softwares de gestão.
Até aqui tudo bem, gerar um código para cadastrar uma nova embalagem no estoque é razoável e necessário, o problema é quando ela vira simplesmente um número. Sendo assim, pode perfeitamente ser comparada como algo mais corriqueiro como um parafuso. Este comparativo não é para desmerecer o item, pelo contrário, sabemos da dificuldade de projetar qualquer peça de engenharia.
A embalagem é uma ferramenta que promove competitividade, é o guarda costas do produto como diria o professor Antonio Cabral ou a casa do produto como diria Lincoln Seragini. Fabio Mestriner defende que a embalagem é a responsável pela manutenção da vida no planeta. Suas funções e complexidade são muito maiores do que um simples item de estoque.
Este artigo é quase um manifesto em favor da embalagem!

O que está em pauta é uma mudança de cultura e atitude que se inicia nas pequenas ações. Chamar uma embalagem de SKU transcendeu a barreira da área de suprimentos e chegou ao mercado. As indústrias quando demandam uma nova linha de embalagens para empresas de design, por exemplo, escreve na proposta que necessita desenvolver uma solução e replicá-la em uma quantidade de SKUs. Nos setores de desenvolvimento também são chamadas assim.
Quem atua no segmento percebe uma dificuldade de explicitar a importância da embalagem para a sociedade e no mercado. Ela só é percebida quando não funciona. É parte integrante do produto e o consumidor não desassocia uma coisa da outra. É muito difícil alguém comprar uma embalagem vazia sem a finalidade de conter, proteger ou transportar, bem como são poucos os produtos que não utilizam embalagem, mesmo os vendidos à granel necessitam ser transportados até o ponto de venda.
A embalagem carece de um tratamento especial pelas empresas, em alguns modelos de negócios deveriam ser pauta prioritária nas reuniões de conselho. Afinal, quem é a responsável de transformar um líquido em algo valioso e atrativo como no caso das bebidas destiladas e das perfumarias.
O objetivo desta reflexão não é criticar ou mudar um sistema que já está consolidado nas indústrias, o foco é valorizar os atributos da embalagem e reforçar que ela representa muito mais do que um item no estoque.


