Antes de enfrentar as estradas brasileiras para levar medicamentos termolábeis a quase 20 mil clientes, as distribuidoras promovem a qualificação das embalagens

O mercado institucional de compradores de medicamentos no Brasil é formado por cerca de 93 mil estabelecimentos de saúde entre hospitais e clínicas espalhados por todas as regiões brasileiras, de acordo com levantamento da Deloitte. Deste total, 18 mil são atendidos por 16 distribuidoras representadas pela Associação Brasileira de Distribuidores de Medicamentos Especializados Excepcionais e Hospitalares (ABRADIMEX) e representam 75% do transporte nacional de medicamentos de alto custo.
O que parece simples quando se pensa apenas nos processos de carregamento e transporte multimodal – rodoviário e aéreo –, na verdade, é antecedido por uma bateria de testes de qualificação das embalagens que dura cerca de um ano e meio. Os sistemas passivos de transporte, conhecidos como embalagens qualificadas, fazem o transporte de medicamentos de temperatura controlada por exemplo, para o tratamento de câncer, doenças raras, autoimunes e também das vacinas.
“Os testes envolvem uma complexidade de procedimentos que consideram principalmente dados climáticos, distância, frequência, tempo de viagem, sazonalidade, modais e capacidade interna da embalagem regionais, distância, condições de transporte, tempo de viagem e quantidade transportada por caixa”, explica Paulo Maia, presidente da ABRADIMEX.
De acordo com a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), 20% dos medicamentos sensíveis à temperatura são danificados durante o transporte devido a flutuações térmicas, resultando em perdas anuais estimadas entre US$ 2,5 bilhões e US$ 12,5 bilhões.
Segundo Maia, é de responsabilidade das distribuidoras mitigar os danos de medicamentos termolábeis (produtos farmacêuticos que possuem uma sensibilidade extrema a variações de temperatura, exigindo condições rigorosas de armazenamento e transporte para que sua eficácia, segurança e qualidade sejam mantidas) ao longo do transporte. “A temperatura ideal pode variar do mínimo de 2 ao máximo de 25 graus. Quando falamos da perda de produtos para uso estético, a ineficácia é fácil de ser detectada. Mas quando falamos de medicamentos oncológicos, a saúde do paciente pode tomar rumo irreversível”, diz Maia.
A qualificação térmica das embalagens serve, portanto, para garantir que a carga chegue ao destino nas condições térmicas adequadas, sejam nas regiões mais frias ou nas mais quentes do país e durante todas as estações climáticas do ano. “No Brasil, o transporte de produtos farmacêuticos enfrenta desafios estruturais que impactam diretamente a segurança e eficácia de medicamentos e vacinas. A seriedade do distribuidor faz parte da parceria selada com as instituições de saúde para a proteção dos pacientes”, diz Maia.


