Diferentemente da Interpack de 2023, da qual também tive a oportunidade de participar, a edição deste ano trouxe uma visão mais madura e pragmática sobre sustentabilidade no setor de embalagens.
Se em 2023 a “papelização” aparecia como uma tendência dominante, muitas vezes posicionada como substituição direta ao plástico, em 2026 o cenário se mostrou mais equilibrado e tecnicamente realista. A sustentabilidade permaneceu no centro das discussões, mas acompanhada de uma abordagem mais racional sobre desempenho, viabilidade industrial e eficiência de materiais.
A feira evidenciou uma forte evolução em soluções de embalagens monomaterial, estruturas altamente otimizadas e propostas híbridas, incluindo aplicações com papel onde ele efetivamente agrega valor técnico e ambiental. O discurso deixou de ser “substituir tudo” para se tornar “usar o material certo para a aplicação correta”.
Também chamou atenção o posicionamento dos fabricantes de equipamentos, que demonstraram estar preparados para essa transição. Observou-se um portfólio cada vez mais flexível, capaz de processar desde estruturas mais complexas até embalagens monomaterial e soluções baseadas em papel, acompanhando as novas demandas da indústria sem comprometer produtividade e performance.
Outro destaque importante foi a evolução das aplicações em polpa moldada, que nesta edição se apresentaram de forma muito mais prática e aderente às necessidades reais da indústria. Diferentemente do que se observava anteriormente — quando o foco maior era em aplicações intermediárias, preenchimentos ou proteção de equipamentos -, a tecnologia apareceu cada vez mais integrada a produtos acabados, com soluções de maior valor agregado, melhor acabamento e potencial real de escala industrial.
Além disso, a inteligência artificial teve presença marcante ao longo da feira, consolidando-se como um vetor importante de eficiência industrial. As aplicações observadas estavam focadas principalmente na otimização de processos, aumento de produtividade, controle de qualidade e maior previsibilidade da manufatura, indicando um movimento claro de digitalização e inteligência operacional no setor.



