Como convidado de honra de feira, o Brasil consolidou sua posição de gigante tecnológico ao apresentar soluções para o mercado latino-americano. Com o apoio da ApexBrasil e do Think Plastic Brazil, a delegação brasileira não apenas fortaleceu laços bilaterais, mas posicionou-se como fornecedora estratégica de tecnologia para o Chile
Por Flávio Palhares*

Entrada do Espaço Riesco, em Santiago, onde foi realizada a CirclePack 2026

A CirclePack Chile 2026, realizada no Espaço Riesco, em Santiago entre os dias 14 e 16 de abril, consolidou-se como um dos principais marcos para a indústria de embalagens na América Latina, tendo o Brasil como o grande protagonista e país convidado de honra. Organizada pelo Centro Chileno de Embalagens (CENEM), a feira ocupou um pavilhão de 10.000 metros quadrados e registrou um crescimento de 30% em relação à edição anterior.
A feira foi estruturada para representar todo o ecossistema do setor de embalagens, facilitando conexões diretas entre os países. A divisão incluiu fornecedores de máquinas e tecnologia, fabricantes de embalagens e serviços associados, como logística e economia circular.
Considerada uma das principais feiras do segmento no Mercosul, a CirclePack reuniu empresas de toda a cadeia de valor da indústria de embalagens para apresentar tendências, inovações, tecnologias e maquinários. Realizado a cada dois anos desde 2018, (exceto em 2020, por causa da pandemia) o evento se consolidou como um ambiente estratégico para geração de negócios e troca de conhecimento em um setor essencial para o abastecimento e a segurança de produtos em escala global.

A participação do Brasil foi estratégica e massiva, refletindo a posição do país como um gigante tecnológico no setor. O evento contou com a participação de mais de 32 empresas do Brasil. A delegação brasileira – a maior entre as estrangeiras – foi liderada pela ApexBrasil e pela Think Plastic Brazil, que reuniram 28 companhias no pavilhão do País. A Embaixada do Brasil no Chile manteve um estande próprio para facilitar alianças estratégicas e relações bilaterais.

O embaixador brasileiro no Chile, Paulo Soares, destacou a posição estratégica do Brasil como o parceiro ideal para o desenvolvimento do setor na região. Ele enfatizou que a participação massiva de empresas brasileiras não era apenas uma questão de volume comercial, mas de intercâmbio tecnológico. “O Brasil detém um alto nível de sofisticação na indústria de embalagens, o que contribui diretamente para elevar o padrão de competitividade em toda a América Latina”, ressaltou o diplomata. Além disso, o embaixador pontuou que o fortalecimento das relações bilaterais entre Brasil e Chile é fundamental para responder aos novos desafios regulatórios e de sustentabilidade, como a adoção de tecnologias de alta eficiência operacional e materiais que facilitam a economia circular.
Mariana Soto, gerente geral do CENEM, realçou que o alto nível de comércio e a sofisticação tecnológica brasileira tornaram o país o parceiro ideal para elevar o padrão da feira. “A participação como país convidado de honra representa uma grande oportunidade para fortalecer os laços de colaboração nas áreas comercial e tecnológica, bem como as relações bilaterais. Nosso objetivo é gerar uma verdadeira troca de conhecimento e negócios entre o Chile e o Brasil, promovendo alianças estratégicas que contribuam para o desenvolvimento do setor em nível regional”, afirmou a executiva em entrevista a EmbalagemMarca.

A edição de 2026 da feira priorizou a competitividade aliada à tecnologia. As empresas brasileiras apresentaram soluções em Inteligência Artificial e rastreabilidade de dados para processos produtivos. As inovações exibidas focaram em diminuir a dependência de mão de obra manual e minimizar o consumo de matérias-primas e energia. Houve grande destaque para as embalagens monomaterial (embalagens de camada única com a mesma funcionalidade de multicamadas), tecnologia que facilita a reciclagem e atrai o interesse do mercado chileno.
“Temos a expectativa de negócios feitos de quase 2 milhões de dólares, que podem chegar a 7 milhões para daqui 12 meses. Então existe essa expectativa de negócios, até porque é um momento propício, pelo que vem acontecendo no mundo. E agora, nós estando aqui do lado, principalmente a parte de logística terrestre, a gente consegue ser competitivo no mercado chileno”, avalia Carlos Moreira, diretor-executivo do Instituto Nacional do Plástico – INP e de projetos no Think Plastic Brazil.
“O Chile é um mercado estratégico, não apenas pelo potencial de negócios, mas também pelo perfil aberto à inovação e à importação. A participação na feira nos permite fortalecer o relacionamento com clientes já consolidados e, ao mesmo tempo, gera oportunidades para a ampliação da nossa presença no continente”, contou Everton Navarro Escobar, gerente de negócios da Canguru Embalagens, uma das empresas presentes no pavilhão brasileiro.

Emerson Raiol, especialista em Promoção das Exportações da ApexBrasil, conta que a CirclePack foi uma ótima oportunidade para as empresas brasileiras iniciarem novos negócios ou fortalecerem suas exportações. Ele cita que algumas dessas companhias já têm negócios avançados no Chile, “algumas até com fábricas ou escritórios representados no país”. Raio explica que a ApexBrasil apoia empresas que queiram participar de feiras no exterior. “Existem recursos, tanto da ApexBrasil, como também do próprio INP, para subsidiar boa parte dos gastos, como aluguel de espaços, montagem de estandes e a questão do mobiliário. São gastos que se a empresa viesse sozinha, talvez não conseguiria bancar. Então, esse é o apoio que nós damos. E o INP entra com a contrapartida, trazendo os especialistas, fazendo a arrregimentação, marcando reuniões. E para participar do projeto, basta assinar o termo de adesão ao projeto, onde o INP apresenta todo o portfólio, que não é somente de feiras. Feira é só a topo do iceberg, mas tem ações estruturantes, estudos de mercados focalizados e outros serviços também”, ele explica.
Integração da Cadeia de Valor
O sucesso da participação do Brasil na CirclePack 2026 consolidou o País como um parceiro estratégico fundamental para a indústria chilena, especialmente na resolução de gargalos regulatórios complexos.
A gerente geral do CENEM, Mariana Soto, descreveu o Brasil como um “gigante” na indústria de embalagens. Essa percepção abriu portas para que as empresas brasileiras presentes apresentassem soluções de Indústria 4.0, como a gestão de dados e rastreabilidade, essenciais para que as empresas chilenas consigam comprovar o cumprimento das metas de coleta e reciclagem exigidas pela Lei de Responsabilidade Estendida do Produtor (REP). Tecnologias brasileiras de automação que reduzem a dependência de mão de obra manual, que é cara e escassa no Chile, aumentando a competitividade produtiva, também foram destacadas pela executiva do CENEM.
Um dos maiores desafios da Lei REP é a reciclabilidade técnica das embalagens. O Brasil destacou-se ao apresentar algumas soluções:
- embalagens laminadas de material único (monomateriais), que substituem estruturas multicamadas complexas por uma única camada, mantendo as barreiras de proteção (luz, umidade e gordura), facilitando drasticamente o processo de recuperação e reciclagem;
- tintas, adesivos e vernizes de alta performance que não interferem no processo de reciclagem, garantindo que a embalagem seja tratada como um recurso e não como resíduo.
A presença da Embaixada do Brasil com um estande próprio e a participação do embaixador Paulo Soares reforçaram o caráter diplomático e comercial da missão. O evento promoveu uma verdadeira troca de conhecimento, criando alianças estratégicas para o desenvolvimento do setor em nível regional.
Em resumo, a indústria brasileira não apenas vendeu produtos na CirclePack, mas exportou a infraestrutura tecnológica necessária para que o Chile consiga operacionalizar suas metas ambientais de longo prazo de forma economicamente viável.




