Com a sustentabilidade em alta, qual o futuro do mercado de embalagens?

 

 

sustentabilidade

Nova embalagem de PLA dos tomates Sweet Grape

Entre os muitos desafios da cadeia de embalagens do Brasil, certamente está a questão da sustentabilidade no processo produtivo e no descarte. Mas algumas iniciativas pioneiras têm apontado novos e interessantes caminhos a serem seguidos. Este é o caso da marca de hortaliças gourmet My Sweet Salad, que acaba de lançar no mercado a primeira embalagem do país feita 100% com insumos compostáveis para o mercado de Frutas, Legumes e Verduras (FLV).

No final do primeiro semestre deste ano, o Sweet Grape, tomate tipo grape da marca, chegou a diferentes pontos de venda do Rio Grande do Sul com a novidade: a atual embalagem de PET, envolvida por cinta de papel cartão, deu lugar a uma bandeja termoformada de PLA (ácido polilático, um polímero biodegradável oriundo de fontes renováveis), selada com um filme-tampa do mesmo material.

Desenvolvida a partir de fontes renováveis, como a cana-de-açúcar, a novidade é uma solução ambientalmente responsável, que vem ao encontro das demandas do setor. Alinhada à crescente preocupação com a sustentabilidade na cadeia produtiva, a nova embalagem reduz o impacto ambiental sem comprometer a qualidade e a segurança do produto.

Davi Nunes, da Sakata: “setor de FLV está cada vez mais atento às soluções sustentáveis”

De acordo com Davi Nunes, gerente Técnico de Produção e Comercialização do Departamento de Novos Negócios da Sakata, empresa detentora da marca My Sweet Salad, essa mudança na embalagem confere uma série de benefícios, como maior segurança do alimento, melhor exposição do produto nas prateleiras, além de otimização na logística. “O setor de FLV está cada vez mais atento às soluções sustentáveis que agreguem valor ao produto sem onerar a cadeia produtiva. Por isso, nossa nova embalagem é uma resposta à essa tendência, proporcionando um descarte ambientalmente correto e favorecendo a decomposição natural, sem gerar resíduos tóxicos ou microplásticos”, explica o gestor.

Em um cenário onde consumidores valorizam cada vez mais marcas comprometidas com o meio ambiente, o Sweet Grape lidera uma mudança importante no setor de FLV ao investir em soluções que vão além do produto. A escolha por embalagens ecologicamente responsáveis reflete que o compromisso da marca se estende a cada etapa do seu processo. “Sustentabilidade é um assunto central para nós e optamos por adotar uma embalagem totalmente compostável, inclusive na tinta usada na impressão, e que, segundo os fornecedores dos insumos, se biodegrada em ambiente de aterro sanitário, não dependendo, portanto, de compostagem industrial para virar adubo”, esclarece Nunes. Por isso, segundo ele, “nossa comunicação com os consumidores será toda focada em educar o nosso público sobre o descarte correto da nova embalagem, que deve ser feito junto com o material orgânico”. O executivo explica ainda que, mesmo com essa orientação, se as embalagens compostáveis forem destinadas à reciclagem e acabarem misturadas com PET, não há problemas, desde que isso ocorra em volumes pequenos.

Roberto Salgado, da FR Embalagens: projeto traz viabilidade técnica e econômica para o cliente

O conceito da embalagem compostável desenvolvida para o Sweet Grape é fruto de um trabalho de cerca de dois anos conduzido em parceria com a FR Embalagens, que comercializa o filme-tampa e é a responsável pela coordenação dos demais fornecedores envolvidos na produção da nova embalagem. “O projeto foi liderado por nosso engenheiro agrônomo, Evandro Lucheis, que foi essencial para trazer a viabilidade técnica e econômica para o nosso cliente”, explica Roberto Salgado, diretor do Grupo FR Embalagens.

Davi Nunes conta que, durante a fase de desenvolvimento do projeto, foram feitas diversas consultas ao varejo para entender a receptividade da novidade. “A resposta foi muito positiva, pois a nova embalagem tem alta transparência e apelo sustentável, atributos que foram vistos como boas ferramentas para alavancar as vendas do nosso tomate tipo grape”, aponta o profissional. Contribui para isso também o fato de não haver alteração no valor final do produto. “Apesar do novo material naturalmente ser mais caro do que a opção anterior, conseguimos manter o preço de venda ao varejo”, diz Nunes. Segundo ele, isso foi possível a partir da redução da espessura da bandeja e também dos ganhos de eficiência no processo. “Desenvolvemos uma máquina para automatizar a produção e eliminamos duas etapas adicionais, que eram a aplicação da cinta de cartão e de uma etiqueta com um QR Code para rastreabilidade. Com o embalamento automático, reduzimos o número de pessoas envolvidas na tarefa e ainda melhoramos a segurança do processo”, detalha o executivo.

Já no próximo lote de produção, os tomates Sweet Grape terão um QR Code padrão GS1 2D que, além de exercer as funções de automação antes atribuídas aos códigos de barra, também abre muitas possibilidades de gestão de informação e de comunicação com os consumidores, agregando dados relevantes para a rastreabilidade do processo produtivo e certificado de origem do produto.

A marca My Sweet Salad trabalha com integradores parceiros locais para fazer o processo de embalamento e distribuição dos produtos. Nesta primeira etapa do projeto, a empresa gaúcha Silvestrin foi a primeira integradora a aderir ao novo conceito proposto e investiu no equipamento específico para o embalamento dos produtos em embalagens de PLA. A My Sweet Salad revela estar em tratativas com outros integradores para expandir a solução para todo o território nacional e também para aplicá-la em outros itens de seu portfólio, futuramente.

Códigos 2D: a revolução silenciosa nas embalagens

Compartilhe!

Facebook
X
LinkedIn
WhatsApp
Email

Quer patrocinar essa seção?

Pesquise no campo abaixo

Inscreva-se em nossa News!

Preencha o campo abaixo e receba a Newsletter da EmbalagemMarca com informações sobre o que de mais relevante ocorreu no mercado de embalagens na semana.