Rastreabilidade e verificação independente ganham espaço como diferenciais competitivos diante da PPWR, nova regulação da UE em vigor desde agosto

A indústria brasileira de embalagens já se movimenta para atender a um novo padrão de exigência no mercado europeu. Comprovar com dados a origem, a composição e o destino das embalagens deixa de ser apenas boa prática e passa a ser condição para quem exporta. Nesse cenário, iniciativas baseadas em verificação independente ganham protagonismo, tanto para a competitividade das exportações brasileiras quanto para o fortalecimento da economia circular.
A avaliação é da Central de Custódia, empresa de verificação de resultados da logística reversa de embalagens pós-consumo no Brasil, pautada por isenção e consistência.
“A PPWR muda a pergunta que o mercado faz. Antes era se a embalagem era adequada. Agora é se a empresa consegue provar. Isso exige rastreabilidade, balanço de massa e dados consistentes em toda a cadeia”, afirma Fernando Bernardes, diretor de operações da Central de Custódia.
O que a indústria precisa fazer
Segundo a Central de Custódia, a adequação passa por quatro frentes:
- Mapear a cadeia: conhecer fornecedores e a origem dos materiais usados nas embalagens.
- Documentar: manter especificações técnicas, testes e laudos atualizados, inclusive sobre substâncias restritas, como os PFAS.
- Comprovar o conteúdo reciclado: sustentar os percentuais declarados com rastreabilidade e balanço de massa.
- Verificar de forma independente: submeter os dados a uma checagem externa antes de chegar ao importador europeu.
Avanços já aparecem nos números
O Brasil já conta com uma base de rastreabilidade construída nos últimos anos com a logística reversa de embalagens. Entre 2021 e 2023, a Central de Custódia registrou mais de 1,8 milhão de toneladas de embalagens pós-consumo verificadas e devolvidas ao ciclo produtivo. O volume anual passou de cerca de 156 mil toneladas em 2021 para mais de 1 milhão em 2023, e o número de entidades gestoras na plataforma saltou de 5 para 38, com presença em 569 municípios de todos os estados [atualizar com dados de 2024 e 2025].
Os dados também mostram por que a verificação importa. Levantamento da empresa aponta que 18% das notas fiscais analisadas apresentam problemas de duplicidade ou reaproveitamento, o tipo de inconsistência que compromete a comprovação exigida pela regulação europeia [confirmar se o índice segue atual].
“Quem chegar à Europa com informação verificável e independente sai na frente”, afirma Bernardes.
O que muda com a PPWR
O movimento do mercado responde à PPWR (Packaging and Packaging Waste Regulation), em vigor desde 12 de agosto para empresas que vendem aos 27 países da União Europeia. O regulamento substitui as antigas diretivas por regras únicas e obrigatórias para todo o bloco: a embalagem passa a ser regulada não apenas pelo descarte, mas também por como é projetada, documentada, rastreada e comprovada ao longo de toda a cadeia.
Algumas exigências já estão em vigor, como as restrições aos PFAS em embalagens que entram em contato com alimentos, e o cronograma prevê endurecimento nos próximos anos. A partir de 2028, entra em vigor um sistema padronizado de rotulagem. Em 2030, embalagens com menos de 70% do peso reciclável deixam de poder circular na UE, o espaço vazio em embalagens de transporte e de e-commerce fica limitado a 50% e as embalagens plásticas deverão conter de 10% a 35% de plástico reciclado pós-consumo, conforme a categoria, percentual que chega a até 65% em 2040. Também em 2030, pelo menos 40% das embalagens de transporte usadas na UE deverão ser reutilizáveis, meta que sobe para 70% em 2040.


