EXCLUSIVO: Qual embalagem usar no mercado de manteigas?

Embalagem de manteiga
Manteiga em tablete acondicionada em papel laminado dominou o mercado por décadas

Quem passeia pelos mercados do Brasil encontra basicamente três opções de embalagens para manteiga: latas de aço, potes de polipropileno e tabletes de papel laminado com alumínio. Decisões de custo e de posicionamento, além de preferências regionais, explicam essa diversidade.

Manteigas Aviação
Aviação utiliza embalagens de aço desde a década de 1920

No caso do aço, talvez o mais emblemático exemplo seja a icônica lata laranja do Laticínios Aviação. “Em 1920, a embalagem de aço era a única opção de comercialização do produto”, conta Roberto Rezende, diretor da empresa. “Por não necessitar refrigeração, era uma excelente solução para distribuirmos o produto em várias regiões do Brasil.” Hermeticamente fechada, a lata de aço conservava a manteiga em temperatura ambiente até o momento de abertura (depois de aberta, a embalagem geralmente era colocada em água fresca, para ajudar a prolongar a vida útil do produto). O sistema é usado até hoje, especialmente quando se busca atrair consumidores pelo apelo premium ou pela nostalgia.

Roberto Rezende, diretor da Aviação

A partir dos anos 1940, na esteira da gradual popularização dos refrigeradores domésticos, diferentes marcas de manteiga começaram a chegar aos mercados com uma nova opção de embalagem celulósica, em formato de tablete. Essa alternativa, dotada de uma camada de alumínio, durante muitos anos dominou as prateleiras (agora refrigeradas) da categoria, e até hoje atrai uma boa parcela de consumidores. A versão em tabletes tem a preferência no uso culinário, e ganhou apelo nas mesas de café da manhã dos brasileiros adeptos das tradicionais “mantegueiras”, utensílio que visa facilitar o uso e o armazenamento do produto.

Durante décadas, esse formato predominou. Até que, na década de 1990, começaram a avançar os potes termoformados de polipropileno. Mais práticos que os tabletes e mais baratos que as embalagens de aço, tornaram-se uma boa opção para atender o mercado consumidor. No Laticínios Aviação, as primeiras máquinas de envase para esse tipo de embalagem vieram em 1995. Desde essa época, inúmeras marcas partiram para a solução.

Paulo Bernardes, gerente de desenvolvimento e marketing da Poly-Vac

“Considerando que o preço final na gôndola das versões em potes termoformados e tabletes varia muito pouco, a conveniência é um ponto de desempate”, defende Paulo Bernardes, gerente de desenvolvimento e marketing da Poly-Vac, pioneira no mercado de potes plásticos para o segmento de manteigas no Brasil, e uma das principais fornecedoras desse tipo de embalagem na categoria. “O pote plástico continua acondicionando o produto de forma prática após a retirada do selo de alumínio, pois possui tampa, enquanto o tablete precisa ser acondicionado em uma mantegueira.”

A jovem (mas em crescimento) Sô Minas é um exemplo dessa transformação do mercado. “Nosso foco era o canal food service, com blocos de 5 quilos. Quando decidimos lançar produtos no varejo, optamos pelos potes plásticos de 200 gramas e de 500 gramas, porque os tabletes têm muitas perdas por amassamento”, explica Fábio Passos, responsável pela gestão comercial da Moreal Indústria, dona da marca.

Manteigas Sô Minas
Sô Minas optou por entrar no varejo com potes de polipropileno

Fábio Passos, responsável pela gestão comercial da Moreal

Esse é, por sinal, um aspecto que ajuda a explicar o crescimento das embalagens termoformadas de polipropileno. “Do ponto de vista logístico, o pote plástico é mais resistente ao amassamento se comparado ao tablete”, explica Bernardes, da Poly-Vac. “Também é mais passível de ser reciclado após o uso quando comparado ao papel do tablete”.

Fábio Passos entende que o custo também foi um fator decisivo na opção da Moreal pelo plástico. “O preço do leite, por si só, já coloca muita pressão nessa categoria. A lata de aço tornaria o produto muito caro, e o deixaria num mercado mais nichado”, entende o executivo.

Apesar de a embalagem ser mais cara, lata de aço tem público fiel na Aviação

Quando questionado sobre custos, Rezende, do Laticínios Aviação, confirma que a lata de aço é mais cara que as alternativas, e diz que mesmo a vantagem logística de prescindir da cadeia do frio na distribuição não equilibra a diferença de preço. Mas reitera que há um público fiel ao material. O executivo acredita que há espaço para os diferentes tipos de embalagem. Tanto que integram o portfólio da empresa a lata de aço de 200g, potes de poliproplileno de 200 gramas e de 500 gramas e tabletes de 100 gramas e de 200 gramas (além de um bloco de 5 quilos voltado ao canal institucional). Para ele, cada versão se destina a situações específicas, e todas mantêm constância nos níveis de venda. “A lata é muito utilizada na mesa do café da manhã, e passa imagem de glamour e nostalgia. O pote tem muita facilidade de uso, mas também é utilizado na culinária, pela praticidade. E o tablete é um uso misto de café da manhã com receitas da cozinha”, analisa ele. “Hoje, as três opções de embalagens convivem muito bem, e diferentes estados brasileiros possuem seu tipo de embalagem favorito.”

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